quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

Perdido a se perder

Me perdi de mim
Quando tudo se perdeu
Arrancada do meu ninho
Referência do meu eu.
Fiz morada no caminho de pedras
pedras molhadas
por lágrimas solitárias
Que lavariam minha alma
Se as folhas pudessem me entender.
Morada caminhada
Entre galhos afiados
na pele marcada
Que sangrava sem doer
Anestesiada
Cicatrizes colecionadas
Numa caixa improvisada
Meu passado no futuro de quem merecer.
Meu tanto perdido
Num tanto a se perder
Desprendi manias vivas
Que aguardavam renascer
Energia minha
Entranhada
No que não pude trazer.

quarta-feira, 8 de janeiro de 2014



Que o belo encontre teus olhos

Para que sejas vivo de bons caminhos.

Que os livros te sirvam de escape

Mas que sempre prossigas sozinho.


Que o externo encontre teus poros

Para que sejas vivo de bons sentidos.

Mas que o tato te alcance na alma

Para que sempre percebas o valor dos instintos.


Em ti me visto dos possíveis de mim.

Um convite ao corpo que cala

Porque alma quando fala

É silencio quem diz.

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Tempo dito

Maldito tempo de antigos indícios
Maldito tempo de sentidos recém nascidos
do olho de beira que cega pensamento
não fosse a ladeira de tantos ofícios
não fosse a peneira de tantos artifícios
Não seria esse mesmo tempo bendito?
Não fosse o certo momento mal visto
Pulso em ti meus batimentos
Blues em bossa
Rio em fossa
Pulso em ti meu nascimento (posto a prova)
Improviso de risco
Esse tempo maldito no abismo
Infinito tempo de mim
Esse mesmo tempo bendito
Um caminho previsto
Que contigo vivi.
Maldito tempo bendito
Tempo esse a caminho de ti.

quarta-feira, 5 de junho de 2013

fale
de perto
de longe
de mim
pra mim
fale
por trás
á vista ou distante
descase
difame
ou desabafe qualquer impressão
só não me venha falar do meu coração.

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Emburrecida



Mistérica flor
se desfez acreceder
em tudo ainda sintonido
em tudo já apapelado
reacreceder que tudo de tão nada
fez nadar ser tubo
fez até tempo temprano temporal
em moldez infinitizada
como dolocores unitizando o rosado
aguável de cada rosada
gota a menos, meia gota
meu desgosto, teu sombreu
em cada olho um viveiro
de um imundo mundano
mundo profano
até te ver te descreio
ou descria
porque antes te previsia
entre padronados anseios
livre fui flor
de seu tamanho
sem tamanho
despecado
até hoje anormalado
se apequenou desse antigo
descumprido comprimido
despassarado
descontrolado
apequenado de você.

Homem que se preza
É do homem que se priva.

Dupla face


Senhor
Dono do ritual secreto
de cada qual
interno
Quer queira ou não
Do outro lado
da ilha paradisíaca
na desabitada parte
da temida rejeição
Aquele monstro que vos fala
Por detrás da face o rosto
em pedra lapidada
É a voz da poesia
Pelo corpo ecoada.

Samba de zen canto


Aos desencantos teus
Aos desencontros
Deus
seca meu pranto, só mais uma vez
se refez meu feito sonho
Arriscado reformado, sempre pronto
Aos encantos teus
Aos meus encontros
Eu
No meu recanto, só mais uma vez
me enganei, meu jeito insano
Ajeitado soberano
Dos passos meus
Um sorriso, um espanto
Que passou ou tá passando, só mais uma vez.